As pesquisas mais recentes mostram que depressões, surtos psicóticos e ataques de pânico alteram a estrutura cerebral em termos químicos (neurotransmissão), microscópicos (neurônios, dendritos e axônios) e estruturais (volume de certas estruturas cerebrais). Provavelmente essa é a explicação para o que se sabe há décadas: quanto mais cedo se trata depressão, ansiedade, pânico, stress, DDA, psicose, cefaléia, etc., melhor.
Atenção: vale para quase todas as patologias da Neuropsiquiatria: quanto mais cedo se trata uma fase depressiva, ou um surto psicótico, uma cefaléia, um DOC, um ataque de Pânico, etc., melhor. Depois que o cérebro "aprende" a produzir esses sintomas, é cada vez mais fácil para ele produzi-los. Ou seja, crises, "quanto mais tem mais tem e quanto menos tem menos tem". Portanto deixe seus preconceitos de lado e procure tratamento.

Dr Rubens Pitliuk

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Psicose pode ser muito simples e rápida para tratar mas também muito difícil. Pode demorar dias, semanas ou meses até a pessoa ficar completamente boa. Preste atenção em depressão pós psicótica: o paciente e a família ficam desapontados por terem mais uma etapa de tratamento a cumprir, mas ela é quase sempre um ótimo sinal que a psicose não vai cronificar.  

Psicoses (a Esquizofrenia é uma delas)

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1) Sintomas:

Psicose significa um estado alterado da personalidade no qual a pessoa tem sensações que não correspondem à realidade e pensamentos que fogem ao seu controle. Uma crise típica de Psicose se caracteriza por alguns ou todos os seguintes sintomas:

  • Alucinações auditivas, visuais ou olfativas
  • Sensações e desconfiança de estar sendo observado, provocado, gozado, comentado, controlado, perseguido, vigiado, traído etc.
  • Sensação de que o ambiente esta estranho.
  • Agitação, confusão, agressividade.
  • Não falar coisa com coisa.
  • Insônia e inapetência.
  • Sensação de que os mais diversos fatos não são coincidências mas sim que eles tem alguma coisa a ver com ela.
  • Atribuição de significados diferentes a coisas reais que estão realmente acontecendo.
  • Isolamento, não querer contato com ninguém, assumir um comportamento estranho.
  • Pensamento bloqueado, interrompido. A pessoa parece que não consegue transmitir uma idéia até o fim.
  • Desleixo com a aparência e a higiene.
  • Alguns pacientes, principalmente quando a doença aparece na adolescência ficam meio pueris, superficiais, com um sorriso inadequado.

Pode aparecer subitamente ou aos poucos.

Não se pode dizer de maneira nenhuma que qualquer Psicose seja a doença Esquizofrenia.

2) Causas mais comuns:

  • Esquizofrenia
  • Distúrbio Afetivo Bipolar
  • Parto (Psicose Puerperal)
  • Reação a alguns medicamentos (por exemplo Anfetaminas e Cortisona)
  • Traumatismos Cranianos
  • Álcool e drogas (principalmente Cocaína, Ecstasy, LSD, Cogumelos, Daime e Crack)
  • Doenças físicas (por exemplo Lupus, Hipertireoidismo)
  • Doenças Neurológicas (por exemplo "derrame", tumores cerebrais)
  • Em pacientes de idade avançada ela pode ser uma indicação que ocorrerá uma atrofia cerebral, por exemplo Doença de Alzheimer.
  • Oligofrenia
  • Alzheimer

Uma situação estressante pode desencadear uma psicose.

O mais comum é a combinação de duas ou mais causas.

3) Exames:

Provavelmente alguns exames clínicos e neurológicos serão necessários, mas quase sempre são normais.

4) Tratamento:

É muito importante que o tratamento comece o mais rápido possível. Às vezes não é possível tratar em casa, porque o paciente simplesmente não aceita que esteja doente nem aceita ser medicado.

O tratamento é sempre medicamentoso, mas a Psicoterapia pode ser importante para a recuperação completa.

Tratar uma Psicose sem medicação tem entre outros riscos, o de cronificação.

5) Para a família:

Paciência e compreensão. É importante tranqüilizar o paciente e explicar que as sensações que ele tem não são reais, mas em geral não adianta. Se ele soubesse que o que ele está ouvindo, vendo e sentindo não é real ele não estaria com Psicose.

6) Observações:

  • Às vezes o primeiro tratamento não produz melhora e resultado e tem que ser mudado.

  • Mesmo que já esteja se sentindo bem, não interrompa a medicação.

  • Uma psicose pode ser benigna e rapidamente curável, mas também pode ser prolongada, difícil de tratar, ter recaídas, ter fases de depressões e de trocas de medicamentos.

  • Para os pais de pacientes jovens, na faixa de 14 a 24 anos: o tratamento não deve e não pode esperar. As conseqüências de uma cronificação podem ser catastróficas. Existem casos de pais arrependidos por não terem tratado a tempo, mas nunca por terem forçado um tratamento mesmo que contra a vontade do paciente.

7) Depressão pós psicótica:

Algumas vezes, quando a Psicose desaparece, o paciente sente-se cansado, desanimado, sem pique para fazer as coisas, triste. A primeira reação dele e da família é de desânimo, pois justamente quando tudo parecia ir bem surge essa depressão.

Essa depressão é pode fazer parte da evolução da Psicose, como se fosse um estado de esgotamento do cérebro após ter "funcionando demais" por tanto tempo. O lado bom é que geralmente as Psicoses que terminam em depressão têm um prognóstico melhor do que as que não provocam depressão.

8) Uma palavra sobre Sintomas Positivos e Sintomas Negativos:

  • Sintomas positivos são os delírios (alucinações, idéias persecutórias, etc.). Eles são bem mais fáceis de se tratar.

  • Sintomas negativos são a falta de interesse, atividade, pique, ânimo, vontade de mudar a situação, apatia, puerilidade, etc. Os sintomas negativos antigamente não tinham tratamento, mas hoje em dia tem.

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