Depressões, surtos psicóticos e ataques de pânico alteram a estrutura cerebral em termos químicos (neurotransmissão), microscópicos (neurônios, dendritos e axônios) e estruturais (volume de certas estruturas cerebrais). Provavelmente essa é a explicação para o que se sabe há décadas: quanto mais cedo se trata depressão, ansiedade, pânico, stress, DDA, psicose, cefaléia, etc., melhor.
Atenção: vale para quase todas as patologias da Neuropsiquiatria: quanto mais cedo se trata uma fase depressiva, ou um surto psicótico, uma cefaléia, um DOC, um ataque de Pânico, etc., melhor. Depois que o cérebro "aprende" a produzir esses sintomas, é cada vez mais fácil para ele produzi-los. Ou seja, crises, "quanto mais tem mais tem e quanto menos tem menos tem". Portanto deixe seus preconceitos de lado e procure tratamento.

Dr Rubens Pitliuk

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Efeitos Colaterais de Remédios psiquiátricos .

Sintomas de abstinência   Dependência Tolerância Perda de efeito   Uso contínuo   Ganho ou perda de peso   Efeitos Colaterais na Sexualidade Impregnação   Piora inicial   Solavancos musculares 

Perguntas e Respostas

Medicamentos psiquiátricos são muito seguros e quase nunca têm efeitos colaterais graves. Nesta página coloquei os efeitos colaterais mais comuns e o que fazer.

Um exemplo de preconceito muito comum:

Pergunta: Dr., parabéns pelo site. Eu acho que sou dependente do remédio X... Será possível? Sem remédio, começo a ficar mal, deprimida. Meu apetite desregula, eu fico compulsiva para comer (detalhe - não sou gorda nem magra, mas preocupada com o peso), e depois ficava com culpa, me sentindo muito mal. Tenho histórico de depressão na família, minha mãe foi anoréxica e se preocupa excessivamente com a boa forma. Resultado: comecei a comer mais, principalmente na TPM noto grandes mudanças, fico agressiva, irritada, deprimida, com pensamentos ruins. Pensei em volta ao médico, pois quando estou tomando X  me sinto ótima. Mas minha psicóloga diz que são muletas, que eu não preciso mais, estou curada. Mas eu estou muito ansiosa, fico com medo de ter tudo de novo, o remédio me deixa bem, fico com o  apetite controlada, melhora minha auto estima, me dá mais segurança e otimismo. 

Resposta: é fácil para a psicóloga dizer que um remédio é muleta, mas o que ela oferece no lugar dele ? Esse teu remédio tem eficácia em mais ou menos 80% dos casos em cerca de 6 semanas. Que eficácia tua psicóloga oferece e depois de quanto tempo ? Se você sofre de determinada doença que melhora com determinado remédio, porque não tomar ?

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1) Abstinência:

Alguns Antidepressivos principalmente Efexor (Venlafaxina, Venlift OD, Venlaxin), Aropax (Paroxetina, Paxil CR, Cebrilin, Pondera), Cipramil (Citalopram, Denyl), Lexapro (Escitalopram), Cymbalta (Duloxetina), Anafranil (Clomipramina), Luvox (Fluvoxamina) etc., não devem ser suspensos de uma vez porque algumas pessoas podem sentir alguns dos seguintes sintomas de descontinuação ou sintomas de abstinência (o que não quer dizer dependência):

  • Leves dores pelo corpo.

  • Sensação de estarem meio aéreas, mareadas, enjoadas.

  • Sensação de alguns formigamentos pelo corpo.

  • Sensação de "choquinhos" pelo corpo.

  • Sensação do cérebro balançar na cabeça

Esses sintomas, se ocorrerem, costumam passar sem tratamento entre o 3* e o 10* dia. Não costumam atrapalhar as atividades diárias da pessoa, mas algumas pessoas tem uma abstinência bem forte.

O que se recomenda é diminuir a dose do antidepressivo aos poucos. Caso vc sinta abstinência pergunte ao teu médico se você pode tomar Dramin B6.

2) Dependência:

Antidepressivos e Neurolépticos nunca criam dependência.

Tranqüilizantes podem criar dependência, depois de uso muito prolongado.

Se criar dependência, precisa fazer um programa de diminuição gradual da dose. Por maior que seja a dependência química, querendo parar, em poucas semanas isso é possível. Fale com seu psiquiatra que ele faz uma programação de retirada gradual sem dificuldade.

O uso contínuo de Tranqüilizantes Benzodiazepínicos pode provocar uma diminuição passageira da memória.

3) Tolerância:

Significa precisar de doses cada vez mais altas para se ter o mesmo efeito terapêutico, pode ocorrer com os Tranqüilizantes e Hipnóticos a longo prazo.

Os Antidepressivos podem provocar tolerância, mas é raro. Isso ocorre mais em pessoas que melhoram, param de tomar o remédio antes da hora, têm recaída, tomam de novo, param de novo e assim por diante.

Antidepressivos são como os antibióticos: precisa tomar dose certa pelo tempo certo.

4) Perda de efeito:

Isso pode acontecer com qualquer remédio em qualquer especialidade da Medicina e é imprevisível. Felizmente a variedade de medicamentos hoje em dia é grande e sempre temos outras opções de tratamentos.

5) O uso contínuo de Tranqüilizantes Benzodiazepínicos pode provocar uma diminuição passageira da memória.

6) Ganho ou perda de peso:

Alguns medicamentos podem aumentar o apetite para doces. Exemplo Remeron (Mirtazapina, Menelat), Tryptanol (Amytril, Amitriptilina), Tolvon (Mianserina), Zyprexa (Ziprazidona), Orap.

Alguns outros podem provocar aumento de peso depois de muitos meses de uso, por exemplo Paroxetina (Cebrilin, Aropax, Paxil CR, Aotin, Benepax), Ácido Valpróico (Depakene, Depakote), etc.

Com Efexor (Venlafaxina, Venlaxin, Venlift) e Cymbalta o ganho de peso não é freqüente.

Lexapro, Exodus, Escitalopram, Cipramil, Citta, Maxapan, Citalopram, Zoloft, Tolrest, Sertralina não costumam provocar aumento de peso.

Os Ansiolíticos e Hipnóticos Benzodiazepínicos (Rivotril, Clonazepam, Valium, Diazepam, Lexotan, Somalium, Bromazepam, Lorax, Lorazepam, Olcadil, Noctal, Frontal, Apraz, Alprazolam, Dalmadorm, Dormonid, Rohypnol, Midazolam, Flurazepam, Flunitrazepam, etc.) não provocam ganho de peso.

Alguns medicamentos, se usados corretamente, podem fazer o paciente emagrecer, por exemplo Fluoxetina (Prozac, Verotina, Eufor, Daforin), Topiramato (Topamax, Amato), Bupropiona (Wellbutrin SR 150, Zetron, Zyban, Bup).

Quando o paciente é disciplinado, come menos carboidratos e mantém um programa constante de atividades física, não precisa ganhar peso.

Também precisamos considerar: os pais do paciente são gordos ? Existe tendência familiar de ganho de peso ? Existem problemas hormonais paralelos à medicação ?

Como o apetite do paciente reage a situações de ansiedade ou depressão ? Comendo mais ou menos ?

Lítio: pode provocar ganho de peso por retenção de líquidos, não por aumento de gordura. Tomar mais água e fazer exercícios em geral resolve.

7) Diminuição de Libido, Sensibilidade Sexual, Retardo de Ejaculação ou de Orgasmo

8) Impregnação ou efeitos Extrapiramidais:

Podem ocorrer (nem sempre) com Neurolépticos ( Haldol, Haloperidol, Risperdal, Risperidona, Respidon, Zargus, Geodon, Ziprazidona, Stelazine, Trifluoperazina, Melleril, Tioridazina, Orap, Pimozide, Semap, Penfluridol, Zyprexa, Olanzapina, Abilify, Aripiprazol, Neuleptil, Periciazina, etc.:

  • Tremor de repouso.
  • Muita salivação.
  • Pele gordurosa.
  • Rigidez muscular.
  • Torção muscular.
  • Vontade de andar.
  • Pernas Intranqüilas.
  • Rosto meio parado, repuxado, como uma estátua.
  • Em casos muito fortes de impregnação, a pessoa parece um robot.

Esses colaterais passam em minutos com Akineton e quase nunca se precisa trocar o Neuroléptico por causa deles.

9) Piora inicial:

Pacientes que sofrem de Transtornos de Ansiedade (inclusive Síndrome do Pânico, Ataques de Pânico, Transtorno de Ansiedade Generalizada) podem ter piora dos sintomas de ansiedade no início do tratamento com antidepressivos Serotoninérgicos.

Os pacientes depressivos não costumam ter piora inicial.

Essa piora inicial é como se fosse um Ataque de Pânico dos fortes !

Essa piora inicial pode ser completamente evitada.

Mas se já começou, fique tranqüilo que passa dentro de alguns dias.

10) Solavancos musculares:

Alguns remédios podem provocar solavancos musculares, principalmente Clomipramina (Anafranil, Clo) e Paroxetina (Aropax, Paxil CR, Cebrilin, Benepax, Roxetin, Pondera), mas pode acontecer também com outros antidepressivos (principalmente) Serotoninérgicos. É mais freqüentemente à noite. É um efeito colateral que não faz mal, mas incomoda, então os pacientes preferem trocar de medicamento quando ele acontece. Ele pose passar com o tempo e/ou com a diminuição da dose do antidepressivo.

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